sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Conflitos internos - Escrito em 21/01/2006

Prezados leitores;

Não, não é falta de imaginação. Tenho muita coisa escrita e quem me conhece no Orkut, como por exemplo a Jucymara sabe que eu tenho uma certa produção de textos. Mas fuçando no meu computador esses dias, não é que eu descobri MAIS TEXTOS. São de épocas diferentes, períodos variados e achei tão legal que resolvi publicá-los. Espero que gostem e se divirtam, chorem ou riam. Boa leitura a todos...

Escritor Solitário.

Conflitos internos


Geralmente eu sempre escrevo sobre Geografia, política, esportes, cultura em geral, etc. Porém hoje eu não estou conseguindo me concentrar. Na verdade não consigo escrever porcaria nenhuma. Gostaria hoje de escrever sobre uma coisa diferente. Mas o que? Pensei bem e acabei por me lembrar de um tema legal. O amor. Não o amor fraternal, consangüíneo, mas sim o amor físico mesmo. Aí achei uma matéria legal na Folha de São Paulo que falava sobre a nova encíclica do Papa Bento XVI (falo sobre ele, depois), que é um importante documento papal, que fala justamente sobre o amor.
Descobri, que teologicamente há duas formas de amor (e olha que eu já não acreditava em um). Há o amor “Eros” e o amor “Ágape”. Segundo o teólogo João Batista Libânio há esses dois tipos de amor. O Eros seria o “amor falta”. Relaciona-se ao amor sexual expresso na falta que um homem sente de uma mulher e vice-versa. O amor Ágape seria o amor de Cristo pela humanidade, o amor de quem morreu pelos homens e não exigiu nada em troca.
Antes de copiar a parte das opiniões do teólogo, e por ter lido por auto as opiniões dele eu pensava: Acredito somente no amor Ágape. O amor Eros é a na minha opinião o engrandecimento da falsidade. Ou se só existe estes dois tipos amor, no alto da minha ignorância penso: Será que podemos ter somente o amor Ágape? Acredito eu que sim. Porque vamos ser sinceros, amor Eros é tao relativo e superficial que seja a ser idiota.
Claro, quantas vezes (inclusive eu), já vi gente jurar em frente ao Padre, no Altar, amor eterno, na alegria, na tristeza, etc... e depois de alguns anos, boa parte ir para cada lado. È um baita conflito interno. Ora, sentimos falta de uma mulher (no meu caso, claro), é óbvio, mas qual a relação deste amor Eros, com o amor Ágape dentro de um casamento? Até aonde isso vai? O amor Eros e o amor Ágape andam juntos num casamento? O que acontece com a pessoa que mesmo estando casada, resolve assumir um romance fora? Vai ter amor Eros? Vai ter amor Ágape? Ninguém tem certeza de nada. Todos ficam em dúvida.
Na verdade, duvido que alguém saiba realmente definir o que é o amor. Teólogos, filósofos e um monte de “ogos” e “ofos” tentaram, mas ninguém sabe explicar. Acabam por cair na mais profunda pieguice. Aliás só existindo esses dois tipos amores, como ficará a classificação em relação a alguns amores, sendo alguns relacionados até para forças divinas? Como fica o amor ao:
 Deus-dinheiro?
 Deus-poder?
 Deus-ganãncia?
 Deus-guerra?
 Deus-ego?
 Deus-promiscuidade? (política, sexual, ou seja, lá o que for)
 Etc.

Essas coisas são realmente difíceis de definir. Acredito que isso gera conflitos internos em um gama enorme de pessoas. Imagino que isso deva ocorrer desde o Presidente da República até aquele mendigo que sofre com a construção das rampas antimendigo em São Paulo.
É por isso que não defino amor. Aliás, de tantas definições, o amor, a palavra e o sentimento em si, parece que está virando sinônimo de fábula. Como se fosse um conto dos Irmãos Grimm ou de Hans C. Andersen. Ou melhor ainda, seria o amor um dos moinhos de vento, imaginados dragões por Dom Quixote de Cervantes?
Façamos o seguinte: definamos o amor cada qual a sua maneira. Não fiquemos atrelados a um ou outro conceito. Nos libertemos desta porcaria de teorias e façamos cada qual a nossa. Afinal neste mundo maluco, onde o Presidente da República de um país da América do Sul se diz de esquerda, mas faz tudo o que a elite quer e a nação mais poderosa econômica e militar do mundo é governada por um bronco que se finge de cidadão culto e preocupado com o mundo, nada mais justo que nós tenhamos, cada um , a nossa definição de amor. Eu ainda procuro a minha. E você?