Novos
“escritores”
Entrei
numa livraria de renome na minha cidade. Logo que entrei fui ver os
títulos novos e fui ver o que havia de novidade. Como sempre os
preços dos livros estão caros demais. A novidade não é única.
Sempre, os preços dos livros estiveram caros. Houve claro, uma queda
durante um período (ainda que curto) em que os livros tiveram seus
preços em queda e também grandes títulos impulsionados por séries
e filmes também impulsionaram a volta a leitura de uma turminha (que
hoje beira os seus vinte anos ou mais) que quando crianças ou
adolescentes se pegaram lendo J.K. Rowling, J. R. R. Tolkien, os mais
nerds começaram a ler George R. R. Martin entre outros. Logo depois
veio uma geração a base de Stephenie Meyer e E. L. James. Não vou
julgar a qualidade, mas ainda assim essa turminha veio criticar ou
elogiar as obras. Isso foi um avanço. Obras brasileiras também
começaram a ser lidas. Caio Fernando Abreu passou a ser lido e
lembrado. Os poemas de Paulo Leminski também estiveram a baila. Ou
seja passamos a ler mais e, a escrever mais também.
Contudo,
como dizem por aí, a alegria de pobre dura pouco. Com a crise,
óbvio, o mercado editorial brasileiro passou a ter problemas. O
preço novamente subiu e novos autores como Rosana Mierling que fez
um excelente trabalho com sua obra Diário de uma escrava, onde
primeiro foi publicado na internet, pra que aí sim, virasse livro
físico. Apesar de não ter chegado às livrarias da minha cidade, é
muito elogiado o trabalho do crítico (ele não gosta muito de ser
chamado assim) Júlio Bernardo (Jota Bê) com seu livro Dias de Feira
onde ele retrata o dia a dia dos feirantes. Esses são só dois
exemplos de novos autores que fazem parte do meu restrito círculo de
amigos e que posso dizer para quem lê meu blog, que compre. São
livros que valem a pena. O livro da Rosana eu li pela internet. O do
Jota Bê infelizmente eu não li. Mas, se ele escreveu, da mesma
forma que escrevia em seu blog, eu confio plenamente. E também na
crítica, que elogiou muito bem o livro dele.
Então, parafraseando Jota Bê, aí nesses últimos anos veio “O horror, o horror!” A crise novamente atingira o mercado brasileiro. Logo, coletâneas e algumas biografias meia-boca foram lançadas. Obras falando mal do governo (chutar cachorro morto é legal, é fácil e também vende, me lembro de um livro fazendo duras críticas ao intelecto do José Sarney e dizendo que o mesmo não merecia vestir o fardão da ABL)biografias “não autorizadas” mas que o biografado nunca reclamou porque vejo que há alguma coisa errada no reino da Dinamarca. Mas, pior que isso, são os livros que são lançados após os filmes. Alguns basicamente são o roteiro do filme transcrito para o papel. Horríveis de ler, um terror. Mas gosto é gosto e no fim das contas, vende. Mas como disse, pode piorar? Claro que pode. O que está sendo lançado ultimamente? Livros de Youtubers que colocam nas melhores e maiores livrarias suas biografias ou coisas na verdade relevante para eles e a galerinha descolada e na verdade irrelevantes para nós. Até hoje, lendo alguns capítulos por aí, eu vi apenas um livro de uma Youtuber que presta. É o “Tá, e daí? A vida por mim” de Ana de Cesaro. Livro bacana (não sou amigo dela, mas a propaganda é grátis) que conta uma história de superação e de uma forma leve e bacana. Bem feito, bem escrito. Não é feito “nas coxas” e nem é feito apenas pra pegar trouxa, que é os fãs desses “formadores de opinião”.
Então, parafraseando Jota Bê, aí nesses últimos anos veio “O horror, o horror!” A crise novamente atingira o mercado brasileiro. Logo, coletâneas e algumas biografias meia-boca foram lançadas. Obras falando mal do governo (chutar cachorro morto é legal, é fácil e também vende, me lembro de um livro fazendo duras críticas ao intelecto do José Sarney e dizendo que o mesmo não merecia vestir o fardão da ABL)biografias “não autorizadas” mas que o biografado nunca reclamou porque vejo que há alguma coisa errada no reino da Dinamarca. Mas, pior que isso, são os livros que são lançados após os filmes. Alguns basicamente são o roteiro do filme transcrito para o papel. Horríveis de ler, um terror. Mas gosto é gosto e no fim das contas, vende. Mas como disse, pode piorar? Claro que pode. O que está sendo lançado ultimamente? Livros de Youtubers que colocam nas melhores e maiores livrarias suas biografias ou coisas na verdade relevante para eles e a galerinha descolada e na verdade irrelevantes para nós. Até hoje, lendo alguns capítulos por aí, eu vi apenas um livro de uma Youtuber que presta. É o “Tá, e daí? A vida por mim” de Ana de Cesaro. Livro bacana (não sou amigo dela, mas a propaganda é grátis) que conta uma história de superação e de uma forma leve e bacana. Bem feito, bem escrito. Não é feito “nas coxas” e nem é feito apenas pra pegar trouxa, que é os fãs desses “formadores de opinião”.
Pode
piorar? Mas é claro que pode. Passeando novamente pela livraria me
deparei não com um. Mas com dezenas de livros na frente de loja da
livraria de nome com o tema incrível, sensacional que é: Minecraft.
Que basicamente consiste em construir blocos infinitamente e ao qual
o jogo não tem objetivos definidos ou enredo dramático. E eu que
achava que era um perfeito besta quando jogava Soul Reaver quando
tinha mais trinta anos. Me enganei. As coisas podem piorar ainda mais
quando novos youtubers começam a queimar os livros de youtubers e
livros baseados nesse joguinho de nome Minecraft. Dizem os novos que
queimar os livros é um símbolo de libertação e de crítica
construtiva a uma geração que só fala bobagens e que esses novos
“escritores” que ganham espaço cada vez mais no mercado editoral
brasileiro deveriam ser de um jeito ou de outro BANIDOS. Jota Bê
quando vai a um lugar que a comida não lhe cai bem, não volta mais.
Rosana, mostra o quanto é difícil publicar e também mostra o
caminho das pedras e que não basta ser apenas um “youtuberteen”
que o livro será um sucesso e que venderá milhares e milhares sem
esforço porque isso não acontecerá. Eu, quando entro numa
livraria, vejo que nas bancadas da ponta os carros-chefe entre mais
vendidos são de “youtuberteens” e Minecraft, eu simplesmente
vejo se há alguma salvação nas prateleiras, porque nas bancadas,
dá vontade de ir embora.
Escritor
Solitário.