Um
dia na vida de Pedro Camacho
Mais
um dia comum, agora da sua vida comum. Quebrado apenas pelo som da
máquina Hall que ecoava no pátio. Os olhos saltados e a pele bem
alva daquele homem baixo, de rosto quadrado, enfatizado pela cabeça
raspada. Não era um rapaz alto, mas eu sabia quem ele era. O
escritor da Rádio Panamericana autor de três novelas de sucesso que
não conseguiu dar conta de seu trabalho e agora está aqui.Pedro
Camacho. Será que ele sente saudades da sua terra, sua amada
Bolívia? Tomara que ele não guarde rancor de mim, afinal quem
mandou interná-lo foi seu patrão, Genaro Filho.
Não
deve ser fácil. Um dia você está com sucesso, cercado de gente que
lhe paga jantares, que diz que lhe quer bem e que acompanha suas
novelas. No outro você é capturado dentro de seu local de trabalho,
colocado numa camisa de força e jogado dentro do manicômio público
de Lima. Tudo, tudo mesmo é retirado de você. As roupas, os
sapatos, cuecas, as unhas cortadas, o cabelo raspado e a barba feita.
Com ele amarrado e sedado, claro. Apesar do seu tamanho, nunca vi
homem tão resistente. Lutou bravamente contra tudo e todos. Mas sua
sanidade já era. Chamou os policiais e o padre de suas telenovelas.
Preocupava-se com seu trabalho ao extremo. Berrava por todo Manicômio
que tinha de sair dali para escrever suas novelas. Médicos e
enfermeiros olhavam de longe, ele amarrado à cama, fazendo uma força
incrível, quase arrebentando as cordas atadas à cama para que ele
não fugisse com pena daquele homem franzino tentando se manter
digno. Protestou de todas as formas: gritou, tentou morder, ofendeu,
cuspiu, urinou-se e defecou no seu leito.
Apenas
Genaro Filho vinha vir vê-lo e a cada vez mais tinha certeza de que
tinha feito a coisa certa. Certa vez ele veio mais duas pessoas, pelo
que me lembro deveriam ser Luciano Pando e Josefina Sanchéz. Eles
ficaram assustados e nunca mais voltaram. Num dos raros momentos de
lucidez, Pedro Camacho chamara por “Varguitas”, mas esse nunca
veio. Aliás até as visitas de Genaro Filho começaram a ficar
raras. Eu mesmo, nunca prescrevi tanto sedativo para um ser humano.
Entretanto quando chegou aqui, ele não parecia humano. Se bem que
agora não parece também. Está muito magro, dócil, devo dizer, mas
está um trapo. Se alimenta bem, mas a comida parece passar direto
para os intestinos. Parece só absorver o que é suficiente para se
manter de pé. Nada mais.
Mesmo
quando pudemos lhe soltar as amarras seu ex-patrão nunca quis chegar
perto e na primeira vez que o viu desamarrado, sentado num canto do
pátio do manicômio ele simplesmente se viu aterrorizado e sumiu.
Mas o que ele esperava ver afinal? Um Pedro Camacho saltitante e
feliz? Colocando em ordem suas radionovelas e assim recebendo seu
chefe de braços abertos ? Não. Aqui o paciente só pode ficar no
pátio quando a medicação fez efeito, ele está mais dócil, não
arruma confusão e pode conviver com outros pacientes.
Seu
paciente preferido era Barreto. Um mulato alto, que também se dizia
intelectual e que também estava ali por engano. Barreto veio aqui
numa viatura de polícia, jogado e largado. Sem ficha, Barreto foi a
única coisa que disse a nós. Que era diretor chefe do diário El
Peruano e que era um erro muito grande mantê-lo ali. Disse-nos que
os advogados dele e do jornal iriam aparecer ali e nos processar e
que nós seríamos presos. A apreensão tomou conta de nós.
Entretanto ao contrário de Genaro Filho, ainda que de longe vinha
espiar seu funcionário, ninguém do jornal dizia ou soube de algum
Barreto trabalhando ali.
Com
efeito e com o passar do tempo, ambos começaram uma amizade. No
início a troca de palavras era muito pouca, muito mesmo. Talvez
devido a sedação. Agora às vezes os pego tratando de filosofia,
artes, radionovelas e o futuro do Peru. Sobre os três assuntos
anteriores eles divergem bastante, mas sobre o futuro peruano é a
única fonte de consenso entre os dois que não vêem com bons olhos
um futuro promissor para nosso país. A eles cabe a acreditar que em
vinte anos ou menos, entraremos numa crise sem precedentes a ponto de
termos uma guerra civil em que haverá tiros, bombas e estupros.
Muitos enfermeiros param para ouvi-los, perguntam quem serão os
líderes, se essa guerra civil terminará. São tantas divagações
que até eu mesmo chego a pensar do que vai ser amanhã neste meu
país.
Mas
Pedro, ao contrário de seus personagens, é um herói. Eu mesmo
teria desistido. Apesar de confiar no que me disseram na faculdade,
acredito também em alguns professores revisionistas e
revolucionários que em vários artigos dizem que essa não é a
melhor solução, principalmente para pacientes como Pedro ou até
mesmo Barreto. Sempre os observo de longe, não por medo, mas para
manter uma distância ideal entre médico e pacientes. Às vezes
pego-me observando-os, juntos ou em separado pensando no que lhes
acontecera ao longo da vida. Os transtornos, a difícil missão de
manter a sanidade para trabalhar e no fim não conseguir e vir parar
aqui, neste depósito de seres humanos com a mente debilitada e
digamos, completamente insano. Barreto, me preocupa bastante,
principalmente pelo fato de não ter absolutamente ninguém a quem
recorrer. Pedro ainda tem vagas lembranças, tem cuidados digamos,
especiais, principalmente da enfermeira
Maria Pilar. Esta sim, gosta muito dele, limpa suas fezes, lhe
dá a comida na boca assim como a água ou suco. Finjo que não vejo,
mas é comum o afago que ela sempre lhe faz na cabeça. Quanto a
Barreto, ela não dá uma olhada, despreza-o como se fosse um
ninguém. Aliás, Pilar, já fora advertida pelo diretor do hospital
para dar um tratamento uniforme aos pacientes e não tentar recuperar
sozinha Pedro Camacho. Eu, da janela do meu escritório, quando não
estou a fazer nada apenas observo o carinho que ela tem para com esse
trapo humano que ele se tornou. Acho interessante isso, porque Pilar
é nascida e criada na Argentina, veio para cá em busca de uma vida
melhor. Pelo contrário, já com uma carreira de progresso, Pedro
Camacho odiava argentinos e para minha concepção as argentinas
estavam incluídas também.
Será
que foi a pele alva, os cabelos loiros, os seios fartos, a boca com o
batom sempre vermelho, dento de um vestido justo (que mostrava que
ela deveria ser mais ou menos duas vezes maior em termos de peso do
que Pedro) e saltos altos que fez com que Pedro voltasse seus olhos,
ainda que insanos para ela? Nunca vou saber. Ou vou? Pacientes nunca
foram um problema para mim, são seres humanos, ainda que às vezes
eu me veja obrigado a lhes dar eletrochoques na cabeça para que se
tornem mais dóceis e não tentem pelo menos nos matar. Resolvi
neste dia então, me levantar da cadeira e ir ao pátio. Barreto não
estava lá para discursar com Pedro, pois estava tão agressivo que
os enfermeiros acharam por bem encarcerá-lo numa cela solitária
acolchoada até que sua ira amenizasse.
Me
senti tentado então para que fosse ao pátio conversar com aquele
homem que chegara aqui um trapo, mas que ao digitar aquela máquina
Hall, acredito que esteja recuperando um pouco de sua sanidade.
Resolvi sair de minha sala, de trás de minha mesa de mogno vermelho,
da minha máquina de escrever, formulários em cima da mesa, de
paredes brancas, onde havia a minha esquerda uma centena de livros de
medicina e saúde mental, mas que eu nunca havia consultado. Pelos
corredores havia gente andando de maneira anestesiada. Anestesiada
pelos remédios e pela vida. Eles vagavam pelos corredores com suas
calças cáqui e camisas brancas. Alguns desistiam de andar e
sentavam ao chão para conversar com as paredes. Passei por um homem
moreno, alto, de cabelos raspados, mas com o bigode (não sei porque
não raspado)bem cuidado, os músculos saltando da camisa. Apesar da
aparência saudável, conversava com uma tomada e sua cabeça em
certos momentos assentia o que ela o aconselhava.
Saí do prédio, branco, com dezenas de janelas, o que dava a impressão de ser um casarão antigo, do que um manicômio. O jardim tinha a grama aparada, verde, bem baixa. Carecia de árvores, mas resolvemos tirar, principalmente quando Isabel uma vez cismara de subir em cima de uma das árvores chegando até ao alto da copa. Mesmo com a chegada dos bombeiros, demorou mais de três horas para descer voluntariamente. Ela acreditava piamente que era Rapunzel e, desde então cortamos todas as árvores para que não houvesse um exército de Rapunzeis dentro do hospital. Fui me aproximando perto do banco onde Pedro Camacho estava com sua máquina Hall digitando, de uma forma mais moderada, do que Genaro Filho me reportou quando Pedro foi internado. Lá estava ele, calças cáqui, camisa branca, o cabelo penteado pela enfermeira para o lado, a coluna curvada para frente onde a mesinha de madeira apoiava a máquina de escrever. Sentei-me ao lado dele e puxei assunto, já que estava tão compenetrado em sua escrita que parecia não me dar a devida atenção.
Saí do prédio, branco, com dezenas de janelas, o que dava a impressão de ser um casarão antigo, do que um manicômio. O jardim tinha a grama aparada, verde, bem baixa. Carecia de árvores, mas resolvemos tirar, principalmente quando Isabel uma vez cismara de subir em cima de uma das árvores chegando até ao alto da copa. Mesmo com a chegada dos bombeiros, demorou mais de três horas para descer voluntariamente. Ela acreditava piamente que era Rapunzel e, desde então cortamos todas as árvores para que não houvesse um exército de Rapunzeis dentro do hospital. Fui me aproximando perto do banco onde Pedro Camacho estava com sua máquina Hall digitando, de uma forma mais moderada, do que Genaro Filho me reportou quando Pedro foi internado. Lá estava ele, calças cáqui, camisa branca, o cabelo penteado pela enfermeira para o lado, a coluna curvada para frente onde a mesinha de madeira apoiava a máquina de escrever. Sentei-me ao lado dele e puxei assunto, já que estava tão compenetrado em sua escrita que parecia não me dar a devida atenção.
-
Boa tarde, Pedro, como vamos?
-Dr.
Quinteros, boa tarde, como vai o senhor? Anda sumido. Não o vejo
desde aquela vez que tivemos o acidente.
-Acidente,
que acidente?
-Ora
doutor, não se faça de esquecido, aquele em que tomamos um choque
porque o senhor resolveu não sei porque cargas d'água colocar o
dedo na tomada. Nunca mais (com o dedo em riste para mim) faça isso.
Quer nos matar?
-Não
Pedro. Prometo nunca mais enfiar o dedo em tomadas.
-Até
parece que não é médico. Se fosse brasileiro eu teria dito que
aprendeste medicina com os índios de uma região aqui perto, parece
que a chamam de Xingu. Francamente doutor. Mas pode deixar, nosso
segredo ficará guardado assim como sua reputação também.
-Ué
Pedro, me toma por um médico brasileiro? Achei que diria que seria
um pateta como um argentino. - nesse momento, Pedro, me solta um
olhar fulminante, fica vermelho, se levanta e com o dedo para o alto
começa a discursar:
-Jamais,
meu caro doutor Quinteros, jamais. Como ousa? Nunca, por favor, mas
nunca fale mal daquele país belíssimo, de pessoas trabalhadoras,
inteligentes, onde as mulheres mais bonitas do mundo ali moram. Os
homens, tem também sua beleza, mas como não os aprecio, prefiro me
ater somente a beleza feminina. E o futebol? De um genial toque de
bola, onde tenho certeza até aquele outro jogador lá do Brasil, a
quem eles chamam de Pelé gostaria de ter nascido na Argentina. Aonde
(e continua de dedo em riste e, com a mão esquerda, emaranha o
cabelo, muito bem penteado) o senhor encontraria um lugar de belezas
naturais, campos e colinas. Aonde a carne é tenra e macia, os montes
altos e volumosos e ao sul, a neve encobre a planície de vegetação
baixa.
-Desculpe
Pedro, eu apenas puxei assunto.
-Estou
sempre a disposição doutor Quinteros, mas nunca estou disposto para
falar mal da Argentina (enquanto isso, Pilar me surpreende,
enchendo-o de afagos pouco se importando com minha presença e
penteia-lhe o cabelo, deixando-o novamente apresentável).
-Obrigado
Pilar, disse Pedro.
-De
nada meu querido, estou sempre a disposição.
-Assim
como dos outros não Pilar? - recebi uma careta feia que devolvi
instantaneamente.
-Sim
doutor Quinteros. Pilar nos ajuda muito por aqui. Tanto a mim, quanto
a Barreto. Por acaso viu por onde anda Barreto?
-Não,
não o vi.
-Bom,
deve ter ido ter com os donos do jornal. Esses donos de jornais aqui
em Lima são diferentes. Uns querem explorar a política. Outros
querem que, ao torcer o jornal, o mesmo sangre pela rua afora. Já
falei com Barreto para não se aprofundar demais dentro dessas
questões. Até porque estamos quase a beira de uma guerra civil,
tempos estranhos virão e creio que seria melhor ele não ficar tão
próximo ao jornal. A guerra civil se aproxima, os meus informantes
me contam e acho melhor ele não ficar muito dentro desses prédio.
Sabe como é, esses loucos podem fazer um ataque, qualquer coisa.
-Tem
tanta certeza disso Pedro?
-Tenho,
mas isso é um assunto complexo e praticamente o senhor quase não
vem me ouvir.
-Virei
com mais frequência, acredite. Mas me diga, está escrevendo uma
nova novela?
-Não
doutor, enlouqueceu? Desse jeito serei obrigado a mandá-lo para o
manicômio público de Lima. Aqueles dois Genaros, tanto o pai,
quanto o filho estão a me arrancar o couro. Tenho escrito para eles
três (ele me mostra com os dedos o numeral), mas três novelas
radiofônicas. Não
devo negar que são verdadeiros sucessos, pois as novelas que eles
antes traziam de Cuba não eram meras porcarias literárias dadas a
se meter em polítcam interna e externa da CMQ. Em relação ao meu
salário na Bolívia ganho até muito mais. Mas sabe como é, um
trabalho sempre complicado.
-E
como vai indo Pedro.
-Ora
doutor Quinteros, veja só. Tudo bem que os Genaros resolveram me
trazer para um lugar mais repousante e menos extressante do que a
rádio Panamericana. Mas aqueles, desculpe o termo, filhos da puta,
dão com uma mão e tiram com a outra. Apesar de estar num lugar
muito bom, com exceção das tomadas, Pilar não é como Varguitas e
não sabe escrever um enredo. E agora, para economizar mais, me deram
esta máquina de escrever.
-
O que tem ela Pedro? - perguntei na expectativa de que a
realidade voltasse à tona.
-
Doutor Quinteros. Veja bem, a minha antiga máquina tinha por volta
de quarenta teclas. Agora veja esta. Nove. Como falei com o senhor,
com nove teclas tenho de tirar leite de pedra. Mas como falam por aí
no dito popular: “Negócios são negócios”. Então resta-me
apenas a resignar-me e digitar o mais rápido possível para que
possa entregar essas novelas e assim Varguitas poder fazer a revisão
para que aqueles atores, e contigo guardo segredo, incompetentes
possam fazer o seu trabalho.
-
E porque não sugere aos Genaro que os demita – perguntei tentando
extrair o máximo de sanidade.
-Doutor,
doutor. Eles já estão lá há tantos anos. E quem os Genaros
trariam por um salário tão baixo? O que posso fazer é ajudá-los
da melhor forma possível. Veja só, que amadorismo cheguei. Luciano
Pando não sabia que deveria se masturbar antes de fazer as cenas
românticas que lhe escrevo para que possa ter a voz aveludada e
empostada. Tudo bem que depois que lhe dei essa dica, ele passou a
ter uma performance muito melhor do que eu esperava.
-Estou
espantado Pedro, como pode ter tanta sabedoria dentro de um homem tão
pequenino quanto você!
-Que
isso doutor, assim o senhor me encabula. São apenas detalhes que
adquiri ao longo dos anos para que pudesse melhorar os meus atores na
Bolívia para que pudessem ter uma técnica apurada de interpretação.
Eu levo o meu trabalho ao máximo de excelência. Claro que isso me
cansa, veja só a pilha de coisas que já escrevi só no momento que
estamos aqui.
-Sim,
estou vendo Pedro. Por isso vou deixá-lo a sós para que possa
produzir cada vez mais para aqueles pães duros dos Genaros.
Dou
a mão a Pedro Camacho e me afasto dele. Sinto até pena de como um
homem tão genial como esse tenha levado a sua mente ao máximo do
esgotamento criativo. Não sei nem se ele sairá daqui. O mais
estranho é que ele primeiro teima em pensar que está trabalhando
para a rádio Panamericana. Segundo é que sua aversão por
argentinos agora tornou-se aversão por brasileiros. Terceiro,
incrivelmente ele se lembra da nossa tentativa de lobotomia. Se não
fosse o artifício da tomada, da minha “ingenuidade” de colocar a
mão em uma ele teria percebido muito mais facilmente.
Passo
pela enfermeira Pilar, com seus cabelos loiros, seus seios
avantajados, suas pernas brancas, naqueles saltos enormes dentro
daquele uniforme branco mostrando as curvas do seu corpo arredondado.
Ela me olha com aversão. Não sei porque está mulher está tentando
de todas as formas se aproximar de Pedro Camacho, pois ele não é
nem metade do genial escritor que um dia já foi. Será que ela acha
que a rádio Panamericana irá sustentá-lo para sempre? O máximo
que faz é pagar sua estadia dentro deste lugar. Acredito que ele
será devolvido para a Bolívia assim que tiver, se tiver, alta. Pois
se não tiver alta, acredito que a próxima geração não será tão
benevolente com Pedro Camacho. Acredito que como outros , pacientes
ele vá ficar aqu esquecido. Eu novamente passo pelo rapaz moreno de
cabelos raspados, de bigodes bem cuidados, musculoso que
insistentemente teima em conversar com a tomada. E deve ser uma
bronca e tanto, pois ele, assim como na minha ida e agora na minha
volta, assente com a cabeça. E, me lembro de Pedro Camacho, eu não
me chamo Quinteros. Está confundindo novamente com seus personagens.
Eu sou o Doutor Jaime Concha. Eu tenho pena daquele coitado. Entro em
meu gabinete, sento-me e vou escrever para o senhores Genaro (pai e
filho) para que venham aqui ter uma reunião comigo.
Neste
momento a porta se abre bruscamente. Dois enfermeiros cercam o
“doutor” Jaime Concha. Agarram-no, e prendem-no na camisa de
força. Ao
fundo a enfermeira Pilar e o verdadeiro médico, Doutor Juan Fernando
Gamboa. Doutor Juan balança a cabeça como sinal de negação e
Pilar ao fundo, sem que Doutor Juan perceba, parece se divertir com a
situação.
-
De novo se passando por mim Alvaro Quintella? Quantas vezes eu lhe
pedi para que não fizesse isso? Quantas vezes eu disse para não
invadir minha sala, pegar meu jaleco e sair por aí como se fosse eu?
Pilar por favor, Clozapina, Benperidol e Quetiapina para o paciente
por favor. E depois rapazes, limpem essa bagunça em minha sala.
Enquanto isso, Pedro Camacho continuava a escrever em sua máquina de
escrever Hall, suas novelas para a rádio Panamericana.
*Diversas homenagens estão nesta história:
Primeiro, a Mario Vargas Llosa, um autor que gosto e me inspira.
Segundo, a meu irmão já falecido, Luiz Carlos, que assim como Pedro Camacho foi interno em instituições psiquiátricas (manicômio)
Terceiro, a todos os pacientes das casas terapêuticas ou que convivem com seus familiares apesar dos problemas psiquiátricos.
Primeiro, a Mario Vargas Llosa, um autor que gosto e me inspira.
Segundo, a meu irmão já falecido, Luiz Carlos, que assim como Pedro Camacho foi interno em instituições psiquiátricas (manicômio)
Terceiro, a todos os pacientes das casas terapêuticas ou que convivem com seus familiares apesar dos problemas psiquiátricos.