SOU
MAIS SUJO QUE VOCÊ
Há
algumas semanas o semanário brasileiro vem sendo assolado por uma
estranha competição partidária. Geralmente essas competições são
sobre como são as formas de governo, são como melhorou mais que o
outro a saúde, a educação, os transportes e a segurança. Isso só
para falar o básico. Não estou incluindo aí, dentro desta seara,
outras realizações no campo da ciência, dos esportes, etc. Ou
seja, as virtudes seriam predominantemente concorridas para os
representantes do atual governo e da oposição.
Acontece
que não. A competição no Brasil, ocorre de uma forma mais inversa
e cruel possível. A nossa educação que é ruim, minto, é péssima,
horrível,desastrosa e inegavelmente um terror que não forma, não
prepara e em suma acaba sendo um amontoado de gente sob a égide de
professores que não conseguem se preparar, que não conseguem se
atualizar e não conseguem aprimorar seu ensino. Eles não ensinam.
Parecem mais árbitros de uma luta cruel e infeliz. Onde não haverá
nenhum ganhador, mas cujo propósito é apartar brigas de gangues.
Na
saúde, os médicos mais parecem exercer a função de padres, que
dão apenas um alento para um passagem desta vida para uma melhor a
pessoas que não tem a menor condição de pagar um plano de saúde.
Na verdade, essas pessoas NÃO TERIAM de pagar plano de saúde algum,
já que o SUS teria de ser pleno o suficiente para atender toda a
demanda de pessoas que através de seus impostos pagam pelo serviço.
Mas não. O que vemos em mais de oitenta por cento dos casos são
pessoas jogadas nos corredores de hospitais, usando material de
péssima qualidade, isso quando o tem.
Segurança?
A coisa está muito, muito feia. Quem tem segurança, ainda assim de
uma forma parcial, são as pessoas mais abastadas. Segurança está
quase no sistema punk: “faça você mesmo”. A falta de segurança
vai desde aquele tarado no metrô, ônibus ou trem até aquela
turminha gente fina que depois de roubar seu carro ou sua moto, atira
em você e lhe deixa sangrando até morrer, ou então um sequestro
relâmpago ao qual sua integridade física e mental será altamente
abalada. E no fim, quem sabe aquele telefonema esperto de uma pessoa
que ou diz que você ganhou um prêmio inexistente ou que um ente seu
está nas mãos de sequestradores?
Não.
O cenário hoje está povoado por políticos que estão preocupados
em saber quem roubou mais. Quem tem mais sujeira por debaixo dos
tapetes. E não é pouca, é muita sujeita, que vão desde os
Correios passando pela Petrobras e terminando nas privatizações. Aí
você pensa que finalmente as coisas terminaram, que tudo voltara ao
normal (normal?) e que as agruras e os problemas serão definidos e
que nós, meros mortais, sejamos feitos de idiotas todos os dias.
Acho que já estamos acostumados com isso. Já é quase uma coisas
que vem dos tempos imemoriais, cantada e reafirmada pelos grandes do
samba.
Mas
as coisas podem piorar? Mas é lógico que podem. Agora a polêmica,
ops, disputa da vez é quem é pior pai de família. É uma disputa
dura, é uma disputa cruel e voraz travada pelos militantes dos dois
partidos que hoje configuram as principais lideranças partidárias
brasileiras. É um show de horror de muito mal gosto, de exposição
da vida privada e de que hoje eles disputam para ver quem é pior.
Isso era para ser resolvido numa esfera privada e familiar. Não, ela
é discutida e rediscutida nas rodas de bar, nos shoppings, nas
bancas de jornais e nas redes sociais. É de doer. Sim, é de doer.
O
primeiro, por ordem cronológica, é o ex-presidente Luís Inácio
Lula da Silva. Na campanha de 1989, um verdadeiro festival de
baixarias, um fato marcou aquele ano. A filha que o candidato Lula,
“esquecera” e que queria que a mãe tivesse abortado, pois na
época ele estava casado com Marisa. Ajudou a afundar sua campanha,
foi um escândalo e as pessoas o crucificaram por um ato que é tão
corriqueiro que está aí o Programa do Ratinho para provar o
contrário. Pessoas de baixa renda se degladiam num exame de DNA para
saber a maternidade e a paternidade. Junte-se a isso também o
patrimônio ora grande, ora pequeno, ora compatível, ora
incompatível do filho mais velho do ex-presidente. Munição para a
oposição.
Seria.
Acontece que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem e não tem
um filho fruto de um romance com uma (à época)jornalista da Rede
Globo de Televisão. O garoto depois de exames de DNA a pedido do
pai, foi comprovado que não é filho do ex-presidente. Era filho
então de um biólogo que ninguém sabe o nome e seu nome. Dias
atrás, sua ex-amante, voltou a falar para a imprensa que o filho é
sim do ex-presidente Fernando. E descobre-se que sua irmã é uma
funcionária “secreta” do gabinete de um senador amigo do
ex-presidente.
Enfim,
essa competição para saber quem é mais sujo que o outro revela um
lado que nós conhecemos muito bem: o da hipocrisia, da falta de
vergonha, de caráter, da mania sórdida de querer levantar apontar o
dedo um na cara do outro. Esses escândalos são vergonhosos. E mais
vergonha ainda, dá para ver quando há uma disputa sobre quem é
mais sujo do que o outro.
Escritor
Solitário