segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

OPINIÃO X

SOU MAIS SUJO QUE VOCÊ




      Há algumas semanas o semanário brasileiro vem sendo assolado por uma estranha competição partidária. Geralmente essas competições são sobre como são as formas de governo, são como melhorou mais que o outro a saúde, a educação, os transportes e a segurança. Isso só para falar o básico. Não estou incluindo aí, dentro desta seara, outras realizações no campo da ciência, dos esportes, etc. Ou seja, as virtudes seriam predominantemente concorridas para os representantes do atual governo e da oposição.
      Acontece que não. A competição no Brasil, ocorre de uma forma mais inversa e cruel possível. A nossa educação que é ruim, minto, é péssima, horrível,desastrosa e inegavelmente um terror que não forma, não prepara e em suma acaba sendo um amontoado de gente sob a égide de professores que não conseguem se preparar, que não conseguem se atualizar e não conseguem aprimorar seu ensino. Eles não ensinam. Parecem mais árbitros de uma luta cruel e infeliz. Onde não haverá nenhum ganhador, mas cujo propósito é apartar brigas de gangues.
      Na saúde, os médicos mais parecem exercer a função de padres, que dão apenas um alento para um passagem desta vida para uma melhor a pessoas que não tem a menor condição de pagar um plano de saúde. Na verdade, essas pessoas NÃO TERIAM de pagar plano de saúde algum, já que o SUS teria de ser pleno o suficiente para atender toda a demanda de pessoas que através de seus impostos pagam pelo serviço. Mas não. O que vemos em mais de oitenta por cento dos casos são pessoas jogadas nos corredores de hospitais, usando material de péssima qualidade, isso quando o tem.
      Segurança? A coisa está muito, muito feia. Quem tem segurança, ainda assim de uma forma parcial, são as pessoas mais abastadas. Segurança está quase no sistema punk: “faça você mesmo”. A falta de segurança vai desde aquele tarado no metrô, ônibus ou trem até aquela turminha gente fina que depois de roubar seu carro ou sua moto, atira em você e lhe deixa sangrando até morrer, ou então um sequestro relâmpago ao qual sua integridade física e mental será altamente abalada. E no fim, quem sabe aquele telefonema esperto de uma pessoa que ou diz que você ganhou um prêmio inexistente ou que um ente seu está nas mãos de sequestradores?
      Não. O cenário hoje está povoado por políticos que estão preocupados em saber quem roubou mais. Quem tem mais sujeira por debaixo dos tapetes. E não é pouca, é muita sujeita, que vão desde os Correios passando pela Petrobras e terminando nas privatizações. Aí você pensa que finalmente as coisas terminaram, que tudo voltara ao normal (normal?) e que as agruras e os problemas serão definidos e que nós, meros mortais, sejamos feitos de idiotas todos os dias. Acho que já estamos acostumados com isso. Já é quase uma coisas que vem dos tempos imemoriais, cantada e reafirmada pelos grandes do samba.
      Mas as coisas podem piorar? Mas é lógico que podem. Agora a polêmica, ops, disputa da vez é quem é pior pai de família. É uma disputa dura, é uma disputa cruel e voraz travada pelos militantes dos dois partidos que hoje configuram as principais lideranças partidárias brasileiras. É um show de horror de muito mal gosto, de exposição da vida privada e de que hoje eles disputam para ver quem é pior. Isso era para ser resolvido numa esfera privada e familiar. Não, ela é discutida e rediscutida nas rodas de bar, nos shoppings, nas bancas de jornais e nas redes sociais. É de doer. Sim, é de doer.
      O primeiro, por ordem cronológica, é o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Na campanha de 1989, um verdadeiro festival de baixarias, um fato marcou aquele ano. A filha que o candidato Lula, “esquecera” e que queria que a mãe tivesse abortado, pois na época ele estava casado com Marisa. Ajudou a afundar sua campanha, foi um escândalo e as pessoas o crucificaram por um ato que é tão corriqueiro que está aí o Programa do Ratinho para provar o contrário. Pessoas de baixa renda se degladiam num exame de DNA para saber a maternidade e a paternidade. Junte-se a isso também o patrimônio ora grande, ora pequeno, ora compatível, ora incompatível do filho mais velho do ex-presidente. Munição para a oposição.
      Seria. Acontece que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem e não tem um filho fruto de um romance com uma (à época)jornalista da Rede Globo de Televisão. O garoto depois de exames de DNA a pedido do pai, foi comprovado que não é filho do ex-presidente. Era filho então de um biólogo que ninguém sabe o nome e seu nome. Dias atrás, sua ex-amante, voltou a falar para a imprensa que o filho é sim do ex-presidente Fernando. E descobre-se que sua irmã é uma funcionária “secreta” do gabinete de um senador amigo do ex-presidente.
      Enfim, essa competição para saber quem é mais sujo que o outro revela um lado que nós conhecemos muito bem: o da hipocrisia, da falta de vergonha, de caráter, da mania sórdida de querer levantar apontar o dedo um na cara do outro. Esses escândalos são vergonhosos. E mais vergonha ainda, dá para ver quando há uma disputa sobre quem é mais sujo do que o outro.

Escritor Solitário

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

OPINIÃO IX

ENFIM, O ANO COMEÇOU

       Na última semana que passou, tivemos novamente as comemorações do Ano Novo 2016 na sua versão 2.0 e turbinada. Nas estradas, como todo ano, filas quilométricas de engarrafamentos tanto na ida quanto na volta. Um pedágio muito caro e estradas (ainda que privatizadas, ruins e algumas só máquinas de pegar dinheiro) ruins. Imprudência total ao volante, com os mesmos dirigindo como se não houvesse amanhã, bêbados, drogados ou só porque acham (!) que são a versão mais nova e atualizada de um piloto de Fórmula 1.
       Depois nós temos um festival de gente fedendo, bebendo cerveja de má qualidade, comendo sabe-se lá o quê, vomitando, se drogando, beijando qualquer coisa que se mexa (devido ao estado etílico) e transando sabe-se lá Deus de que jeito (se protegendo ou não) ao som de uma música de qualidade muito mas muito duvidosa. Tem também aquela turma diferenciada que vai para os camarotes, que tem de tirar foto para as revistas de celebridades e de subcelebridades daquelas marcas de cerveja que um dia já foram muito boas. E outras que nunca o foram.
       E o arrastão? Tem de ter. Tem de ter aquela galera simpática que vai passar por você levando sua carteira ou seu relógio ou seu dinheiro ou seu cordão. Mas, se tiverem oportunidade, levarão tudo. É aquela turma que se não vai te dar um tiro, vai deixar um soco ou um chute para você deixar de ser babaca e ficar pulando por aí que nem uma besta quadrada. E a briga? Estávamos esquecendo dela. Durante esse período de ano novo turbinado, é claro que os caras que malharam o ano inteiro e que ficaram vendo as lutas de vale tudo, viraram especialistas em ground and pound, cruzados, diretos e jabs.
       Claro que tem os maníacos cibernéticos também. Tem os caras que querem discutir o que não há razão para discutir nesse período porque ninguém vai prestar a atenção por mais que as partes tenham razão. Tem os caras que vão queimar livros de youtubers idiotas, para dizerem que são contra o sistema deles de serem tão capitalistas através de suas babaquices mas que ao filmarem a queima dos mesmos livros eles monetizam o vídeo. São tão capitalistas quanto eles. São tão babacas quanto eles.  E ainda tem os que se fazem de reserva moral na internet só que se escondem atrás de máscaras e não tem a mínima moral de botar a cara para bater.
       Eles deviam estar protestando. Só que não. É o período do sangue, suor e cerveja. Crise, que crise? Afinal, tem ou não tem? Um terço diz que sim e outro terço diz que não. Enfim, porque a turma toda não sai para manifestar? É porque não vai ter os elementos (positivos e negativos), não vai haver a alienação e muito menos o engajamento político e pseudopolítico praticado por algumas pessoas. Eu sou do terço que uma parte tem razão e a outra também. Estamos atolados numa crise institucional sem igual, um desmantelamento político em todos os Estados e uma evasão de divisas nunca antes vista neste país. O problema é que do outro lado, há um grupo de velhacos políticos que diz que a corrupção chegou agora. Não me passem atestado de trouxa, por favor. O que acontece nessa bagunça é que a corrupção não começou agora. Começou junto com este bando de velhacos que posam como grandes ícones da moral e dos bons costumes. Para, porque está feio.
        Enfim, o nosso ano novo, não dura um dia. O nosso ano novo dura até sete. É o que chamamos de Carnaval. Essa festa ao qual o brasileiro, desde o mais rico até o mais pobre que enrola o suficiente para que? Para que esse período (dentre os vários) que o brasileiro para e se envolve em várias frentes para poder se divertir. Uma diversão que às vezes pode custar até a vida, mas no fim do que importa isso? Importa que temos por aí pessoas sonegando impostos mas saindo como se diz no jargão “de boa”, temos pessoas tendo pairando sobre si, a possibilidade de ter um triplex, um sítio no interior de São Paulo, um barco e por aí vai. Temos por aí também pessoas deixando as crianças das escolas públicas sem merenda, sem professores, sem a menor qualidade de ensino, pois, seus filhos, filhas ou netos não estudam ou não estudarão lá. De maneira nenhuma, afinal para que? Para que essas pessoas infelizmente sejam massas de manobra que, ao envelhecerem sem uma educação de qualidade e digna, atuem como “vaquinhas de presépio”.
        Eu fui do terço que mandei praticamente tudo isso às favas, resolvi viajar e descansar minha mente. Descansar, não ficar me esfregando em um bando de gente suada, beijando bocas que não sei aonde estavam e bebendo e ouvindo cerveja e música de péssima qualidade. Alguns vão dizer que eu não sei o que eu estava perdendo. Você está errado, eu sabia sim o que estava perdendo e não me arrependo nem um pouco. Mas, de qualquer forma, feliz ano novo para você também.


Escritor Solitário

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

OPINIÃO VIII

COMO ERA GRANDE O MEU TRIPLEX


      Esses dias invadiu o noticiário nacional a notícia de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva possui/possuía/nunca possuiu um triplex num condomínio fechado no Guarujá, na área litorânea do Estado de São Paulo. Uma hora o Ministério Público nos apresenta documentos, testemunhas, provas entre outras coisas. Outra hora o Instituto Lula nos apresenta outros documentos, testemunhas, provas entre outras coisas provando o contrário. A construtora diz que deu depois diz que não deu, enfim a confusão está armada. Nem vou falar da suposta declaração do filho do ex-presidente dizendo que o país iria pegar fogo se o pai dele fosse preso. Eu acho que não iria não. Aliás esse país não pega fogo há muito tempo, por motivo algum. Nem para decisão de Big Brother. Aliás, hoje, o que está mais em evidência é se um dos confinados deste programa que parece ser um aficcionado em armas, mulheres jovens e pornografia é ou não pedófilo. A Polícia Federal bem que podia dar uma olhadela, coisa rápida. Mas acho que não, porque acabo de me lembrar que a Polícia Federal anda sem dinheiro e opera somente com o básico.
      Não sou advogado do ex-presidente. Mas eu acho natural o ex-presidente da até então oitava economia do país sair milionário do cargo. Nenhum presidente das principais economias do mundo, sejam elas francesas, alemãs, americanas ou russas saem do cargo em petição de miséria. Ora, ser presidente é um cargo poderosíssimo, muito dinheiro passa pela suas mãos, muita coisa é decida a favor ou não do povo. Você pode pegar uma prefeitura de uma cidade média brasileira. Veja o seu ex-prefeito. Sairá do seu cargo, para os padrões da cidade onde habita, rico, ora essa. É uma coisa natural.
       Entretanto, existe uma diferença de como você ficou rico. Se você ficou rico através de ações que de uma forma ou de outra você aumentou seu próprio salário, achou petróleo, deu e dá palestras pelo mundo afora, se torna uma pessoa muito influente e compra um apartamento superluxuoso, e declara esses rendimentos no seu imposto de renda, muito justo. Agora, a coisa desanda, e muito, quando o seu apartamento vem através do velho jogo político brasileiro que nós ao longo do tempo passamos a odiar: o velho toma lá, dá cá. Se você conseguiu o raio do seu triplex de maneira honesta, vamos ser realistas,dá pra engolir. Se até o Donald Trump, um racista, machista e misógeno é capaz de ficar rico, porque o Lula também não?
      As coisas desandam mesmo é quando o apartamento megaluxuoso é dado como forma de propina. Algo do tipo : Algum deputado bem íntimo do ex-presidente (antes de me processarem, estou apenas divagando, não é crime, ok) edita uma medida provisória que beneficia os interesses de uma determinada construtora ao qual poderemos dar o nome de Construtora Y. Essa construtora consegue rendimentos, dividendos e lucros na casa do BILHÃO. Ora, talvez algum yuppie com MBA nos Estados Unidos, Inglaterra, ou seja lá onde for tenha tido a brilhante ideia de dar ao então presidente um triplex da sua construtora para que o mesmo lá habitasse depois de sua jornada pelo Palácio do Planalto. Afinal era uma compensação, e também uma forma de deixar o amigo mais confortável, para um fim de vida mais tranquilo.
       Acontece que depois dessa batalha de documentos que envolvem até a ex-primeira dama do país, estão chegando a um consenso que nem o escritor ou escritora mais notável do planeta poderia imaginar. Afinal de contas o triplex não é de NINGUÉM. Não é do ex-presidente, não é da cooperativa, não é do banco, não é do lobista, não é do banqueiro, não é do yuppie, não é do deputado, do senador ou do prefeito.
      Vamos fazer o seguinte então. Eu não tenho apartamento, casa, sítio, granja ou seja, nenhum tipo de moradia em meu nome, comprado e quitado. Então eu venho encarecidamente pedir ao dono SEJA LÁ ELE QUEM FOR, que me doe este apartamento. Se não puder ser esse eu ficaria muito feliz, mas muito mesmo, se ele me fornecer um apartamento numa cidade do interior paulista ao qual tenho motivos de sobra para ir. E não estou mentindo, falo sério. Mesmo.

Escritor Solitário