segunda-feira, 7 de março de 2016

OPINIÃO XI

Novos “escritores”




       Entrei numa livraria de renome na minha cidade. Logo que entrei fui ver os títulos novos e fui ver o que havia de novidade. Como sempre os preços dos livros estão caros demais. A novidade não é única. Sempre, os preços dos livros estiveram caros. Houve claro, uma queda durante um período (ainda que curto) em que os livros tiveram seus preços em queda e também grandes títulos impulsionados por séries e filmes também impulsionaram a volta a leitura de uma turminha (que hoje beira os seus vinte anos ou mais) que quando crianças ou adolescentes se pegaram lendo J.K. Rowling, J. R. R. Tolkien, os mais nerds começaram a ler George R. R. Martin entre outros. Logo depois veio uma geração a base de Stephenie Meyer e E. L. James. Não vou julgar a qualidade, mas ainda assim essa turminha veio criticar ou elogiar as obras. Isso foi um avanço. Obras brasileiras também começaram a ser lidas. Caio Fernando Abreu passou a ser lido e lembrado. Os poemas de Paulo Leminski também estiveram a baila. Ou seja passamos a ler mais e, a escrever mais também.
       Contudo, como dizem por aí, a alegria de pobre dura pouco. Com a crise, óbvio, o mercado editorial brasileiro passou a ter problemas. O preço novamente subiu e novos autores como Rosana Mierling que fez um excelente trabalho com sua obra Diário de uma escrava, onde primeiro foi publicado na internet, pra que aí sim, virasse livro físico. Apesar de não ter chegado às livrarias da minha cidade, é muito elogiado o trabalho do crítico (ele não gosta muito de ser chamado assim) Júlio Bernardo (Jota Bê) com seu livro Dias de Feira onde ele retrata o dia a dia dos feirantes. Esses são só dois exemplos de novos autores que fazem parte do meu restrito círculo de amigos e que posso dizer para quem lê meu blog, que compre. São livros que valem a pena. O livro da Rosana eu li pela internet. O do Jota Bê infelizmente eu não li. Mas, se ele escreveu, da mesma forma que escrevia em seu blog, eu confio plenamente. E também na crítica, que elogiou muito bem o livro dele.
      Então, parafraseando Jota Bê, aí nesses últimos anos veio “O horror, o horror!” A crise novamente atingira o mercado brasileiro. Logo, coletâneas e algumas biografias meia-boca foram lançadas. Obras falando mal do governo (chutar cachorro morto é legal, é fácil e também vende, me lembro de um livro fazendo duras críticas ao intelecto do José Sarney e dizendo que o mesmo não merecia vestir o fardão da ABL)biografias “não autorizadas” mas que o biografado nunca reclamou porque vejo que há alguma coisa errada no reino da Dinamarca. Mas, pior que isso, são os livros que são lançados após os filmes. Alguns basicamente são o roteiro do filme transcrito para o papel. Horríveis de ler, um terror. Mas gosto é gosto e no fim das contas, vende. Mas como disse, pode piorar? Claro que pode. O que está sendo lançado ultimamente? Livros de Youtubers que colocam nas melhores e maiores livrarias suas biografias ou coisas na verdade relevante para eles e a galerinha descolada e na verdade irrelevantes para nós. Até hoje, lendo alguns capítulos por aí, eu vi apenas um livro de uma Youtuber que presta. É o “Tá, e daí? A vida por mim” de Ana de Cesaro. Livro bacana (não sou amigo dela, mas a propaganda é grátis) que conta uma história de superação e de uma forma leve e bacana. Bem feito, bem escrito. Não é feito “nas coxas” e nem é feito apenas pra pegar trouxa, que é os fãs desses “formadores de opinião”.
      Pode piorar? Mas é claro que pode. Passeando novamente pela livraria me deparei não com um. Mas com dezenas de livros na frente de loja da livraria de nome com o tema incrível, sensacional que é: Minecraft. Que basicamente consiste em construir blocos infinitamente e ao qual o jogo não tem objetivos definidos ou enredo dramático. E eu que achava que era um perfeito besta quando jogava Soul Reaver quando tinha mais trinta anos. Me enganei. As coisas podem piorar ainda mais quando novos youtubers começam a queimar os livros de youtubers e livros baseados nesse joguinho de nome Minecraft. Dizem os novos que queimar os livros é um símbolo de libertação e de crítica construtiva a uma geração que só fala bobagens e que esses novos “escritores” que ganham espaço cada vez mais no mercado editoral brasileiro deveriam ser de um jeito ou de outro BANIDOS. Jota Bê quando vai a um lugar que a comida não lhe cai bem, não volta mais. Rosana, mostra o quanto é difícil publicar e também mostra o caminho das pedras e que não basta ser apenas um “youtuberteen” que o livro será um sucesso e que venderá milhares e milhares sem esforço porque isso não acontecerá. Eu, quando entro numa livraria, vejo que nas bancadas da ponta os carros-chefe entre mais vendidos são de “youtuberteens” e Minecraft, eu simplesmente vejo se há alguma salvação nas prateleiras, porque nas bancadas, dá vontade de ir embora.


Escritor Solitário.

Um comentário:

e-BocaLivre disse...

"O horor, o horror", infelizmente não é do JotaBe. Mas é de um escritor bonzinho também: Joseph Conrad...