OS CANALHAS TAMBÉM
ENVELHECEM
As palavras acima, foram
ditas por um senhor, que foi o digamos, “criador” do Ratinho,
muito famoso no Paraná, Luiz Carlos Alborghetti. Era um senhor de
extrema direita, com as falas em seus vários programas do tipo trash
eram as de: “Bandido bom, é bandido morto”,”Paranã”, “Vá
a merda!” e “Os canalhas também envelhecem”. Não acreditava
em direitos humanos para bandidos, etc e tal. Mas vou me ater apenas
a essa frase que disse, “Os canalhas também envelhecem”. Pra
dizer a verdade não fui muito de acreditar nessas coisas. Mas, eu
nos últimos dias infelizmente me dobrei a esse argumento
Na última quinta-feira, o
país foi surpreendido com gravações, prisões e tudo o que mais
aconteceu sobre o senador Delcídio do Amaral. Delcídio do Amaral,
era aquele homem na transição há dez anos atrás entre os cabelos
pretos e os cabelos brancos. Foi ele o presidente da CPMI do Mensalão
e conseguiu conduzir sem praticamente nenhum barraco, gritaria,
berros, uivos e vaias (como temos visto ultimamente neste congresso
em suas sessões plenárias) encontros dos mais tensos possíveis,
inclusive entre os ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado Roberto
Jefferson, onde apesar da dureza das palavras, o nível foi mantido.
Pessoalmente sempre tinha
admirado como tanto Delcídio quanto Osmar (que era o relator)
conseguiram de forma unânime agradar tanto ao governo, quanto a
oposição o que nesses tempos de Mensalão, Petrolão, Lava-Jato e
tantos outros escândalos, tem sido um festival de ofensas de parte a
parte, onde tucanos e petistas brigam por poder e onde sabemos (ou
não queremos saber) que são farinha do mesmo saco. Pois bem, na
quinta-feira última o senador foi detido pela Polícia Federal
depois de tramar com um dos réus da Lava-Jato e um advogado a fuga
de um dos principais personagens dessa megaoperação Nestor Cerveró.
Nessa gravação trama-se uma fuga inusitada para o Paraguai onde um
advogado de renome (esses políticos nunca andam sem nenhum) sugere
essa rota de fuga e diz: Eu já fiz muito isso.
Foi preso também um
banqueiro, jovem, o símbolo do sucesso. Acusado de lavar dinheiro,
de obter informações de maneira sigilosa e como conseguir através
de dinheiro já que é bilionário. Esse jovem, símbolo do sucesso,
estava trilhando o mesmo caminho dos sessentões já presos nessa
operação. Acumulando muito dinheiro de maneira ilícita através de
contas, de falcatruas e farra com o dinheiro público. Dinheiro esse
que poderia ter sido usado em escolas, universidades, postos de saúde
e hospitais para a parcela mais pobre do nosso país. É vergonhoso
que esse tipo de gente leva o dinheiro dessa população e fico me
perguntando se em algum momento, se em algum dia essa gente se
arrependeu ou se consternou com isso. Na minha opinião eles são tão
cruéis e nojentos quanto assassinos que volta e meia estão a baila
em telejornais .
Na sexta-feira passada pude,
através do Jornal da Band ver quando surgiu no cenário o solícito
senador. Ele sempre esteve nos meandros do poder. Sempre esteve as
margens de quem estava no comando político do país. Uma vergonha. E
desde bem jovem, o nobre senador, que hoje ostenta uma longa
cabeleira alva, está preso em uma cela da polícia federal. E uma
das razões para fuga, mesadas e planos mirabolantes para quem está
demonstrando aonde está mais um (mar de lama). O Congresso está nas
mãos de mafiosos e cada dia que passa, a vergonha tem sido maior e o
brasileiro comum tem perdido a fé em qualquer tipo de governo que se
possa sequer pensar, já que todos estão na vala comum da
mediocridade. É incrível, mas tenho de dar a absoluta razão ao já
falecido comunicador Luiz Carlos Alborghetti: “Canalhas, também
envelhecem.” Só faltou dizer que às vezes é as custas do
dinheiro do povo sofrido que tanto batalha.
Escritor Solitário
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