segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

OPINIÃO






A ALCUNHA DO CUNHA




 
      Desde semana passada, Brasília anda em polvorosa quando na quarta-feira o Presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, resolveu à tarde, acolher o pedido de impeachment da Presidenta Dilma Rousseff. Esse processo se deu quando o mesmo recebe a notícia do conselho de ética da Câmara dos Deputados que os componentes do Partido dos Trabalhadores tinham decidido em conjunto, votar para que se abra o processo contra o Eduardo Cunha. Aliás, o mesmo, já recebe sinais dos próprios companheiros censuras como do Deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), Alessandro Molon (REDE-RJ) e uma censura, chamando-o de indigno de se sentar na cadeira de presidente da deputada Mara Gabrili do (PSDB-SP).
       Acontece que Eduardo Cunha continua ali. E, como um ato de revanchismo, como um ato de uma criança revoltada com a outra que chutou a bola longe e não quis pegar, resolveu brigar com ela e não conversar mais. Acho incrível que o Eduardo Cunha recebera dezenas de pedidos de impeachment e não aceitou nenhum deles enquanto ele podia se manter moralmente no poder. As pessoas se mantinham em polvorosa em alguns momentos. Fotos com a polícia, manifestações em verde e amarelo e dezenas de pessoas com a camiseta: “Somos todos Cunha!”.
       No entanto, o Ministério Público Suíço revelou tanto na Suíça quanto enviou para o Brasil extratos de contas movimentadas por Eduardo Cunha. Então viu-se que até aulas de tênis no exterior, sua mulher, pagou. Admitiu-se então o pedido. Lido numa quinta-feira, quando imponente o presidente da Câmara resolveu numa atitude de revanche acatar o pedido. Acontece que esse pedido ocorre num momento em que o Brasil passar por problemas estruturais, econômicos e sociais imensos. Enquanto isso, no Estado de São Paulo, escolas são fechadas para uma “reorganização” que mais desorganiza do que ajuda. No Paraná, professores foram recebidos a bala de borracha, cassetetes e uma pancadaria sem a mínima noção de civilidade. No meio de tudo isso, o deputado, nobre, porém não, dá uma entrevista para uma grande emissora dizendo que as contas não são dele. Que ele é apenas um usufrutuário de um trust que é administrado por pessoas, fruto de um rendimento ao qual ele vendeu carne nos anos oitenta para países africanos. Sem demonstrar notas fiscais, deu um depoimento vago. A alcunha de usufrutuário caberia bem ao deputado Cunha. Some-se isso, o Senador Delcídio, ao qual já falei semana passada, está na dúvida se delata todo mundo ou finge que nada está acontecendo assim como seu amigo de partido José Dirceu.
        A minha opinião sobre isso é baseada no discurso dos professores Dalmo Dallari e Cláudio Lembo (esse inclusive, uma figura ilustre do DEMOCRATAS) de que não houve crime, tanto do ponto de vista criminal (sem dolo) quanto do ponto de vista econômico onde num cenário de crise medidas urgentes deveriam ter sido tomadas. Acredito que o parecer de Janaína Paschoal e Hélio Bicudo, está baseado numa decisão política. E, o senhor usufrutuário, não tem moral alguma para pedir impeachment. Inclusive, se não me engano, está na Constituição que qualquer pessoa pode (assim como fizeram Janaína Paschoal e Hélio Bicudo) pedir o impeachment. Agora, uma pessoa sem a mínima condição moral, digna e ilibada pode acatar ou não o pedido. A minha opinião é de que primeiro ele não deveria estar sentado lá desde que suas contas apareceram, pois para mim, ele automaticamente já estaria impedido de presidir a Câmara.
        Cabe lembrar a todos que há alguns anos atrás o ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti teve de renunciar a presidência da Câmara por receber um “mensalinho” de quinze mil reais. Recebeu um “pito” do ex-deputado e agora jornalista Fernando Gabeira. Hoje, políticos que perderam as eleições, dão graças a Deus pelo tipo de gente que povo a Câmara dos Deputados hoje. Vergonha alheia, é o sentimento da nação.


Escritor Solitário

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