terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

OPINIÃO VIII

COMO ERA GRANDE O MEU TRIPLEX


      Esses dias invadiu o noticiário nacional a notícia de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva possui/possuía/nunca possuiu um triplex num condomínio fechado no Guarujá, na área litorânea do Estado de São Paulo. Uma hora o Ministério Público nos apresenta documentos, testemunhas, provas entre outras coisas. Outra hora o Instituto Lula nos apresenta outros documentos, testemunhas, provas entre outras coisas provando o contrário. A construtora diz que deu depois diz que não deu, enfim a confusão está armada. Nem vou falar da suposta declaração do filho do ex-presidente dizendo que o país iria pegar fogo se o pai dele fosse preso. Eu acho que não iria não. Aliás esse país não pega fogo há muito tempo, por motivo algum. Nem para decisão de Big Brother. Aliás, hoje, o que está mais em evidência é se um dos confinados deste programa que parece ser um aficcionado em armas, mulheres jovens e pornografia é ou não pedófilo. A Polícia Federal bem que podia dar uma olhadela, coisa rápida. Mas acho que não, porque acabo de me lembrar que a Polícia Federal anda sem dinheiro e opera somente com o básico.
      Não sou advogado do ex-presidente. Mas eu acho natural o ex-presidente da até então oitava economia do país sair milionário do cargo. Nenhum presidente das principais economias do mundo, sejam elas francesas, alemãs, americanas ou russas saem do cargo em petição de miséria. Ora, ser presidente é um cargo poderosíssimo, muito dinheiro passa pela suas mãos, muita coisa é decida a favor ou não do povo. Você pode pegar uma prefeitura de uma cidade média brasileira. Veja o seu ex-prefeito. Sairá do seu cargo, para os padrões da cidade onde habita, rico, ora essa. É uma coisa natural.
       Entretanto, existe uma diferença de como você ficou rico. Se você ficou rico através de ações que de uma forma ou de outra você aumentou seu próprio salário, achou petróleo, deu e dá palestras pelo mundo afora, se torna uma pessoa muito influente e compra um apartamento superluxuoso, e declara esses rendimentos no seu imposto de renda, muito justo. Agora, a coisa desanda, e muito, quando o seu apartamento vem através do velho jogo político brasileiro que nós ao longo do tempo passamos a odiar: o velho toma lá, dá cá. Se você conseguiu o raio do seu triplex de maneira honesta, vamos ser realistas,dá pra engolir. Se até o Donald Trump, um racista, machista e misógeno é capaz de ficar rico, porque o Lula também não?
      As coisas desandam mesmo é quando o apartamento megaluxuoso é dado como forma de propina. Algo do tipo : Algum deputado bem íntimo do ex-presidente (antes de me processarem, estou apenas divagando, não é crime, ok) edita uma medida provisória que beneficia os interesses de uma determinada construtora ao qual poderemos dar o nome de Construtora Y. Essa construtora consegue rendimentos, dividendos e lucros na casa do BILHÃO. Ora, talvez algum yuppie com MBA nos Estados Unidos, Inglaterra, ou seja lá onde for tenha tido a brilhante ideia de dar ao então presidente um triplex da sua construtora para que o mesmo lá habitasse depois de sua jornada pelo Palácio do Planalto. Afinal era uma compensação, e também uma forma de deixar o amigo mais confortável, para um fim de vida mais tranquilo.
       Acontece que depois dessa batalha de documentos que envolvem até a ex-primeira dama do país, estão chegando a um consenso que nem o escritor ou escritora mais notável do planeta poderia imaginar. Afinal de contas o triplex não é de NINGUÉM. Não é do ex-presidente, não é da cooperativa, não é do banco, não é do lobista, não é do banqueiro, não é do yuppie, não é do deputado, do senador ou do prefeito.
      Vamos fazer o seguinte então. Eu não tenho apartamento, casa, sítio, granja ou seja, nenhum tipo de moradia em meu nome, comprado e quitado. Então eu venho encarecidamente pedir ao dono SEJA LÁ ELE QUEM FOR, que me doe este apartamento. Se não puder ser esse eu ficaria muito feliz, mas muito mesmo, se ele me fornecer um apartamento numa cidade do interior paulista ao qual tenho motivos de sobra para ir. E não estou mentindo, falo sério. Mesmo.

Escritor Solitário

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