ENFIM,
O ANO COMEÇOU
Na
última semana que passou, tivemos novamente as comemorações do Ano
Novo 2016 na sua versão 2.0 e turbinada. Nas estradas, como todo
ano, filas quilométricas de engarrafamentos tanto na ida quanto na
volta. Um pedágio muito caro e estradas (ainda que privatizadas,
ruins e algumas só máquinas de pegar dinheiro) ruins. Imprudência
total ao volante, com os mesmos dirigindo como se não houvesse
amanhã, bêbados, drogados ou só porque acham (!) que são a versão
mais nova e atualizada de um piloto de Fórmula 1.
Depois
nós temos um festival de gente fedendo, bebendo cerveja de má
qualidade, comendo sabe-se lá o quê, vomitando, se drogando,
beijando qualquer coisa que se mexa (devido ao estado etílico) e
transando sabe-se lá Deus de que jeito (se protegendo ou não) ao
som de uma música de qualidade muito mas muito duvidosa. Tem também
aquela turma diferenciada que vai para os camarotes, que tem de tirar
foto para as revistas de celebridades e de subcelebridades daquelas
marcas de cerveja que um dia já foram muito boas. E outras que nunca
o foram.
E
o arrastão? Tem de ter. Tem de ter aquela galera simpática que vai
passar por você levando sua carteira ou seu relógio ou seu dinheiro
ou seu cordão. Mas, se tiverem oportunidade, levarão tudo. É
aquela turma que se não vai te dar um tiro, vai deixar um soco ou um
chute para você deixar de ser babaca e ficar pulando por aí que nem
uma besta quadrada. E a briga? Estávamos esquecendo dela. Durante
esse período de ano novo turbinado, é claro que os caras que
malharam o ano inteiro e que ficaram vendo as lutas de vale tudo,
viraram especialistas em ground and pound, cruzados, diretos e jabs.
Claro
que tem os maníacos cibernéticos também. Tem os caras que querem
discutir o que não há razão para discutir nesse período porque
ninguém vai prestar a atenção por mais que as partes tenham razão.
Tem os caras que vão queimar livros de youtubers idiotas, para
dizerem que são contra o sistema deles de serem tão capitalistas
através de suas babaquices mas que ao filmarem a queima dos mesmos
livros eles monetizam o vídeo. São tão capitalistas quanto eles.
São tão babacas quanto eles. E ainda tem os que se fazem de reserva
moral na internet só que se escondem atrás de máscaras e não tem
a mínima moral de botar a cara para bater.
Eles
deviam estar protestando. Só que não. É o período do sangue, suor
e cerveja. Crise, que crise? Afinal, tem ou não tem? Um terço diz
que sim e outro terço diz que não. Enfim, porque a turma toda não
sai para manifestar? É porque não vai ter os elementos (positivos e
negativos), não vai haver a alienação e muito menos o engajamento
político e pseudopolítico praticado por algumas pessoas. Eu sou do
terço que uma parte tem razão e a outra também. Estamos atolados
numa crise institucional sem igual, um desmantelamento político em
todos os Estados e uma evasão de divisas nunca antes vista neste
país. O problema é que do outro lado, há um grupo de velhacos
políticos que diz que a corrupção chegou agora. Não me passem
atestado de trouxa, por favor. O que acontece nessa bagunça é que a
corrupção não começou agora. Começou junto com este bando de
velhacos que posam como grandes ícones da moral e dos bons costumes.
Para, porque está feio.
Enfim,
o nosso ano novo, não dura um dia. O nosso ano novo dura até sete.
É o que chamamos de Carnaval. Essa festa ao qual o brasileiro, desde
o mais rico até o mais pobre que enrola o suficiente para que? Para
que esse período (dentre os vários) que o brasileiro para e se
envolve em várias frentes para poder se divertir. Uma diversão que
às vezes pode custar até a vida, mas no fim do que importa isso?
Importa que temos por aí pessoas sonegando impostos mas saindo como
se diz no jargão “de boa”, temos pessoas tendo pairando sobre
si, a possibilidade de ter um triplex, um sítio no interior de São
Paulo, um barco e por aí vai. Temos por aí também pessoas deixando
as crianças das escolas públicas sem merenda, sem professores, sem
a menor qualidade de ensino, pois, seus filhos, filhas ou netos não
estudam ou não estudarão lá. De maneira nenhuma, afinal para que?
Para que essas pessoas infelizmente sejam massas de manobra que, ao
envelhecerem sem uma educação de qualidade e digna, atuem como
“vaquinhas de presépio”.
Eu
fui do terço que mandei praticamente tudo isso às favas, resolvi
viajar e descansar minha mente. Descansar, não ficar me esfregando
em um bando de gente suada, beijando bocas que não sei aonde estavam
e bebendo e ouvindo cerveja e música de péssima qualidade. Alguns
vão dizer que eu não sei o que eu estava perdendo. Você está
errado, eu sabia sim o que estava perdendo e não me arrependo nem um
pouco. Mas, de qualquer forma, feliz ano novo para você também.
Escritor
Solitário
Um comentário:
Concordo com cada paragrafo,realmente é tudo isso que acontece, belo texto gostei.
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