segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

OPINIÃO

Em nome de qual Deus?


       O mundo anda um pouco estarrecido e preocupado com os novos acontecimentos no Oriente Médio. No último dia dois de janeiro, o clérigo Xiita Nimr al-Nimr um crítico feroz da realeza Sunita Saudita foi executado com a justificativa de ter cometido dois assassinatos há dez anos ou mais. Acontece que o clérigo, além de crítico da realeza, era também muito alinhado ao líder iraniano o Aiatolá Ali Khamenei. Dentre as acusações (as quais Sunitas e Xiitas disputam para ver quem na verdade é o verdadeiro herdeiro do profeta Maomé), o clérigo também acusava o regime saudita de dar apoio e suporte ao Estado Islâmico (um califado que pretende ter territórios na Síria, Turquia, Iraque e Irã) que é, inclusive responsável pelos dois atentados a França no ano de 2015.
        Diria você, que na verdade não passam de bárbaros lutando ferozmente em torno de uma religião (mulçumana) baseado no Alcoorão, seu livro sagrado, e que nos últimos meses tem tratado as pessoas como animais e também quem não é de sua religião cometendo atos bárbaros e atrocidades sem fim. Justo? Não, não é. Mas, se nos basearmos na religião, que não é a maior, mas pelo menos uma das mais famosas do mundo, o cristianismo também não fica para trás. Claro que hoje, temos a TV, o rádio, os jornais e a Internet onde tudo vai de forma rápida e constante. Mas matar em nome de Deus, é uma coisa tão comum quanto beber água, respirar, ou qualquer coisa que você que está lendo agora pode imaginar.
        Primeiro, tivemos as perseguições romanas aos cristãos. Não foi um período fácil e o cristão mais famoso, Jesus, foi crucificado. Na Birmânia Budista, até 1850 era muito comum homens, mulheres, meninos e meninas serem enterrados vivos. Essa prática foi banida quando a Birmânia foi transformada em território inglês. A Inquisição foi um mecanismo usado pela Santa Igreja Católica para que as bruxas, os infieis e toda a sorte de pessoas que não se convertiam, ou teriam pelo menos uma atitude suspeita em relação ao cristianismo, eram mortas em fogueiras (quando tinham sorte) ou eram mortas com requintes de crueldade e tortura. Corações de vítimas cortados, canibalismo, decaptações, afogamentos, mortes de crianças entre outras coisas, eram as formas de que os astecas utilizavam para apaziguar os deuses para que os mesmos derramassem suas bençãos para a prosperidade ou simplesmente chuva para suas colheitas. E o que dizer das cruzadas? Roubos, estupros e mortes. Tudo isso em nome de Deus, claro.
        Hoje, com todo o acesso a informação, e às vezes até em tempo real, parece a nossos olhos que apenas os islamitas são assassinos sanguinários que querem tomar o território dos infieis, sejam eles franceses, ingleses ou americanos. Cabe agora compreender o que está acontecendo, já que este é um conflito religioso e também político. Afinal sunitas e xiitas estão em disputa há pelo menos mais de mil anos para descobrir um único propósito: A de quem te o direito legítimo de sucessor do profeta Maomé, quando o mesmo veio a falecer em 632 depois de Cristo. Quando essa guerra milenar irá acabar eu não sei. O problema é que dentro dessas correntes irão surgir outras subcorrentes e outras denominações as quais ficará cada vez mais difícil descobrir quem na verdade é o sucessor.
Mas essa é apenas uma demonstração de que se mata muito em nome de Deus. Que Deus é grande e que os infieis devem ser eliminados. Mas cabe também uma pergunta: Que Deus afinal de contas? Será que sou infiel? Será que você nunca se pegou questionando a sua religião ou se a religião dos outros está errada ou certa? Essa é uma pergunta muito difícil de responder, mas eu fico me questionando sobre uma coisa:
       Deus não é amor? Deus não é misericordioso? Bondoso? Fico aqui me perguntando porque esses preceitos não são praticados? Fico me perguntando porque é tão difícil as pessoas praticarem o bem comum? Há e haverão divergências? Mas é claro que sim. Mas será que é tão necessário ou foi tão necessário torturar, pegar em armas para se matar em nome de Deus? Eu acredito que não. Não mesmo.

Escritor Solitário

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