Em
nome de qual Deus?
O
mundo anda um pouco estarrecido e preocupado com os novos
acontecimentos no Oriente Médio. No último dia dois de janeiro, o
clérigo Xiita Nimr al-Nimr um crítico feroz da realeza
Sunita Saudita foi executado com a justificativa de ter cometido dois
assassinatos há dez anos ou mais. Acontece que o clérigo, além de
crítico da realeza, era também muito alinhado ao líder iraniano o
Aiatolá Ali Khamenei. Dentre as acusações (as quais Sunitas e
Xiitas disputam para ver quem na verdade é o verdadeiro herdeiro do
profeta Maomé), o clérigo também acusava o regime saudita de dar
apoio e suporte ao Estado Islâmico (um califado que pretende ter
territórios na Síria, Turquia, Iraque e Irã) que é, inclusive
responsável pelos dois atentados a França no ano de 2015.
Diria
você, que na verdade não passam de bárbaros lutando ferozmente em
torno de uma religião (mulçumana) baseado no Alcoorão, seu livro
sagrado, e que nos últimos meses tem tratado as pessoas como animais
e também quem não é de sua religião cometendo atos bárbaros e
atrocidades sem fim. Justo? Não, não é. Mas, se nos basearmos na
religião, que não é a maior, mas pelo menos uma das mais famosas
do mundo, o cristianismo também não fica para trás. Claro que
hoje, temos a TV, o rádio, os jornais e a Internet onde tudo vai de
forma rápida e constante. Mas matar em nome de Deus, é uma coisa
tão comum quanto beber água, respirar, ou qualquer coisa que você
que está lendo agora pode imaginar.
Primeiro,
tivemos as perseguições romanas aos cristãos. Não foi um período
fácil e o cristão mais famoso, Jesus, foi crucificado. Na Birmânia
Budista, até 1850 era muito comum homens, mulheres, meninos e
meninas serem enterrados vivos. Essa prática foi banida quando a
Birmânia foi transformada em território inglês. A Inquisição foi
um mecanismo usado pela Santa Igreja Católica para que as bruxas, os
infieis e toda a sorte de pessoas que não se convertiam, ou teriam
pelo menos uma atitude suspeita em relação ao cristianismo, eram
mortas em fogueiras (quando tinham sorte) ou eram mortas com
requintes de crueldade e tortura. Corações de vítimas cortados,
canibalismo, decaptações, afogamentos, mortes de crianças entre
outras coisas, eram as formas de que os astecas utilizavam para
apaziguar os deuses para que os mesmos derramassem suas bençãos
para a prosperidade ou simplesmente chuva para suas colheitas. E o
que dizer das cruzadas? Roubos, estupros e mortes. Tudo isso em nome
de Deus, claro.
Hoje,
com todo o acesso a informação, e às vezes até em tempo real,
parece a nossos olhos que apenas os islamitas são assassinos
sanguinários que querem tomar o território dos infieis, sejam eles
franceses, ingleses ou americanos. Cabe agora compreender o que está
acontecendo, já que este é um conflito religioso e também
político. Afinal sunitas e xiitas estão em disputa há pelo menos
mais de mil anos para descobrir um único propósito: A de quem te o
direito legítimo de sucessor do profeta Maomé, quando o mesmo veio
a falecer em 632 depois de Cristo. Quando essa guerra milenar irá
acabar eu não sei. O problema é que dentro dessas correntes irão
surgir outras subcorrentes e outras denominações as quais ficará
cada vez mais difícil descobrir quem na verdade é o sucessor.
Mas
essa é apenas uma demonstração de que se mata muito em nome de
Deus. Que Deus é grande e que os infieis devem ser eliminados. Mas
cabe também uma pergunta: Que Deus afinal de contas? Será que sou
infiel? Será que você nunca se pegou questionando a sua religião
ou se a religião dos outros está errada ou certa? Essa é uma
pergunta muito difícil de responder, mas eu fico me questionando
sobre uma coisa:
Deus
não é amor? Deus não é misericordioso? Bondoso? Fico aqui me
perguntando porque esses preceitos não são praticados? Fico me
perguntando porque é tão difícil as pessoas praticarem o bem
comum? Há e haverão divergências? Mas é claro que sim. Mas será
que é tão necessário ou foi tão necessário torturar, pegar em
armas para se matar em nome de Deus? Eu acredito que não. Não
mesmo.
Escritor
Solitário
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